18 maio 2006

Mortos chegam a 152 em 293 ataques; 56 casas de policiais foram alvo

Um novo balanço divulgado na noite desta quinta-feira pela Secretaria de Segurança Pública de São Paulo indica que chega a 152 o número de mortos na onda de violência iniciada na última sexta-feira pelo PCC (Primeiro Comando da Capital), em resposta à decisão do governo de isolar líderes da facção criminosa na cadeia.
Do total de vítimas fatais, 107 pessoas foram mortas pela polícia em supostos confrontos. A secretaria não divulgou o nome da grande maioria deles. Não foi divulgado se houve feridos entre as pessoas que teriam enfrentado a polícia. O total de suspeitos presos chega a 124.
Os demais 45 mortos são policiais militares (23), policiais civis (7); guardas metropolitanos (3), agentes penitenciários (8) e civis (4). O número de feridos é de 54.
A secretaria discriminou com detalhes os alvos das ações dos criminosos: foram 82 ônibus; 56 casas de policiais; 17 bancos e caixas eletrônicos; uma garagem de ônibus; uma estação de metrô; uma unidade da CET; outros alvos foram 135. Os ônibus foram queimados, e as casas e prédios levaram tiros, ou foram atacadas com explosivos.
“A polícia está totalmente sob controle”. Foram as palavras do Sr. Cláudio Lembo, que se intitula governador do estado de São Paulo. – Ah! Acho que na verdade ele quis dizer que a policia está sob o controle de Marcos Camacho, líder do PCC, só pode ser, pois a violência não pára.
Vendo todo esse distúrbio, não sei se sinto tristeza ou vergonha de estar presente nesse processo de desmoralização do Brasil. Nunca se viu, até então, um líder governamental sentar com um bandido para negociar a paz. É incrível a contradição e a hipocrisia que as pessoas alcançam. Antes de estarem no poder, lutam contra a ditadura, o sistema econômico, a falta de pulso forte para não se deixar ser esmagado pelo outros. Bem, se for comentar tudo, o blog vai lotar de tanto texto.
Agente não pode cobrar muito, de um Sr. que creio eu ter mais tino para relações comerciais do que para líder democrata, se o próprio presidente da república é desmoralizado diariamente por qualquer povoadozinho que se intitula país, o Sr. Cláudio Lembo não vai se incomodar por ser desmoralizado por um bandido.
Espero que o próximo contato com vocês seja para dar boas notícias, tipo, que nossos líderes se mostraram estar realmente ao lado do povo, e não ao lado de quem tem mais poder.

Por: Juliano Mascarenhas

14 maio 2006

Série de ataques em São Paulo deixa 52 mortos e 50 feridos

A maior série de ataques contra forças de segurança de São Paulo deixou, desde a noite da última sexta-feira (12), 52 pessoas mortas no Estado. O número inclui policiais civis, militares, guardas metropolitanos, agentes penitenciários, civis e suspeitos. Segundo balanço divulgado pelo governo estadual na manhã deste domingo, no total, cerca de 50 pessoas ficaram feridas.A violência também chegou a penitenciárias e CDPs (Centros de Detenção Provisória). Desde sexta, foram registradas rebeliões em 36 unidades do Estado. Muitas começaram entre a madrugada e manhã deste domingo. Há reféns.As ações são orquestradas pelo PCC (Primeiro Comando da Capital), em retaliação à decisão do governo estadual de isolar líderes da facção. Na quinta-feira (11), 765 presos foram transferidos para a penitenciária 2 de Presidente Venceslau (620 km a oeste de São Paulo), com a intenção de coibir ações promovidas pela facção.Na sexta, oito lideres do PCC foram levados para depoimento na sede do Deic (Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado), na zona norte de São Paulo. Entre eles estava o líder da facção, Marcos Willians Herba Camacho, o Marcola. No sábado, ele foi levado para a penitenciária de Presidente Bernardes (589 km a oeste de São Paulo), considerada a mais segura do país. Na unidade, ele ficará sob o RDD (Regime Disciplinar Diferenciado), mais rigoroso.

Ataques

Desde a noite de sexta, foram registrados cem ataques contra forças de segurança em todo o Estado.De acordo com o balanço do governo, foram 42 na cidade de São Paulo --cinco no centro, oito na zona norte, cinco na zona oeste, nove na zona sul e 15 na zona leste--, 17 na Grande São Paulo, dez no litoral e 31 no interior.Além das 52 mortes --sendo 35 entre policiais civis, militares, integrantes de guardas metropolitanas e agentes de segurança de penitenciária--, cerca de 50 pessoas ficaram feridas: 24 PMs, cinco policiais civis, cinco guardas, dois agentes penitenciários, oito civis e seis suspeitos.

Rebeliões simultâneas

Presos rebelados mantêm, neste domingo, mais de cem reféns. Os motins começaram na tarde da última sexta-feira (12), em Iaras e Avaré. Depois se alastraram para outras unidades.Em 2001, uma megarrebelião orquestrada pelo PCC atingiu 29 unidades no dia 18 de fevereiro. Os líderes do grupo conseguiram organizar o movimento e dar a ordem para o início dos motins se comunicando por meio de telefones celulares. O dia escolhido foi um domingo --quando os presídios estavam cheios de parentes e amigos dos detentos que faziam a visita semanal.

Governo

No sábado, o governador Cláudio Lembo (PFL) disse que o governo sabia, na quarta (10), que as transferências trariam "conseqüências". "Pensamos em todas as possibilidades e também nos riscos que nós poderíamos correr. Mas era preciso combater o que estava ocorrendo e acontecendo.""Nós não estamos com bravatas nem com timidez. Estamos com a segurança de quem cumpre a lei e o Estado de Direito", disse o governador.O comandante-geral da PM, coronel Elizeu Eclair Teixeira Borges, afirmou que a corporação estava em alerta, com equipes de prontidão, para possíveis reações. Ele disse acreditar que, devido ao alerta da polícia, o número de mortes "foi bem menor" em relação ao que poderia ocorrer.Em entrevista que contou com a cúpula da Segurança no Estado, o secretário da Administração Penitenciária, Nagashi Furukawa, descartou uma possível falha do governo na estratégia de isolar a liderança do PCC."Acho que a medida que o governo tomou era necessária, ainda que tenha ocorrido esta resposta, porque o governo tem que agir, tem que cumprir a lei e ser firme em suas ações."

10 maio 2006

Silvio Pereira poupa Lula e diz que não sabe se disse a verdade em entrevista

O ex-secretário geral do PT Silvio Pereira afirmou à CPI dos Bingos que não sabe se o que disse em entrevista ao jornal "O Globo" é verdade. Na entrevista, publicada no último domingo, ele apresentou novas informações sobre o escândalo do mensalão. Em depoimento de mais de seis horas à comissão, o ex-petista repetiu por várias vezes que não tinha como confirmar as informações dadas ao jornal. O presidente da CPI, senador Efraim Morais (PFL-PB), chegou a reler toda a entrevista, diante das esquivas do ex-secretário. Mesmo assim, o ex-dirigente petista afirmou que não podia confirmar nada. "Posso ter dito coisas que são criação da minha cabeça. No conteúdo principal da matéria pode ser que eu tenha dito tudo o que está escrito, se ocorreu alguma distorção foi na minha cabeça", disse Silvio. Ele também afirmou que "não foi a primeira vez" que teve momentos de "fantasias e delírios".O ex-dirigente reiterou que não confirmaria a entrevista para não "incriminar pessoas inocentes". Efraim Morais afirmou também que pretende convidar a jornalista que entrevistou Silvio, Soraia Aggege, para depor na CPI na próxima terça-feira.Lula blindadoO depoimento foi marcado por negativas e pela ausência de críticas ao governo e ao presidente Lula -- Silvio Pereira afirmou, em resposta a um senador da oposição, que pretende votar no presidente nas eleições de outubro. Pereira também disse que o presidente Lula, o ex-deputado federal José Genoino, o ex-ministro José Dirceu e o senador Aloizio Mercadante são líderes políticos do partido, e não chefes do esquema, o que ele havia dito ao jornal. No depoimento à CPI, ele voltou a jogar a culpa sobre Delúbio Soares, ex-tesoureiro do partido. "Por mais inverossímil que possa ser, o Delúbio tinha controle absoluto. Se mais alguém tinha, eu não sei", afirmou Pereira.O ex-dirigente, que não assinou termo de compromisso para a CPI, afirmara a "O Globo" que o empresário Marcos Valério coordenava um esquema ilegal de arrecadação de verbas e que pretendia obter R$ 1 bilhão para o caixa do partido. "Nesta entrevista que eu dei eu não sei mais onde está a verdade", afirmou Pereira ao ser questionado sobre o suposto plano de Valério de obter R$ 1 bi. Ainda sobre o empresário mineiro, Pereira afirmou que existem "uns cem Marcos Valérios no país".O ex-dirigente do PT chegou a contestar a transcrição da entrevista ao jornal. "Não lembro ter dito à repórter que queriam me matar", disse Pereira ao responder ao senador Arthur Virgílio (PSDB-AM). Neste momento, Efraim Morais anunciou que vai atuar para dar "garantia de vida" ao ex-secretário-geral do PT. Quem pediu garantia para Pereira foi o líder do PFL, senador José Agripino (RN), após o ex-dirigente ter-se negado a responder a várias perguntas."Patinhas"O ex-secretário do PT afirmou que o presidente do Sebrae, Paulo Okamotto, era conhecido no partido como "Tio Patinhas". Okamotto pagou uma dívida de R$ 29 mil do presidente Lula com o PT, sem explicar a origem do dinheiro.Pereira não chegou a dizer se se arrepende de ter recebido a reportagem de "O Globo", mas afirmou que "queria ficar fora de qualquer coisa que cheirasse política".EstresseO ex-dirigente do PT negou-se, por orientação de seu advogado, a assinar o termo de compromisso para falar a verdade na comissão. A decisão dele foi tomada após o presidente da CPI adotar a mesma interpretação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio. O STF rejeitou liminar ampliando habeas corpus, para que Pereira tivesse o direito de permanecer em silêncio, concedido em novembro de 2005. Efraim Morais leu o atestado médico trazido pelo advogado de Pereira, assinado pelos médicos Ricardo Nepomuceno e Charles Pillari, comprovando que ele está em estado de estresse e com depressão moderada/grave, além de distimia (humor cronicamente deprimido). O ex-secretário do PT depôs com uma das mãos enfaixada -- ele se cortou em uma crise nervosa.

09 maio 2006

Servidora da Saúde aponta deputados envolvidos em compra de ambulâncias

A funcionária do Ministério da Saúde, Maria da Penha Lino, presa durante a "Operação Sanguessuga", citou nesta terça-feira, durante depoimento à Polícia Federal de Cuiabá (MT), cerca de 80 nomes de deputados envolvidos na compra irregular de ambulâncias.Eles receberiam, segundo ela, comissão de 10% para apresentar emendas ao Orçamento na área de Saúde. Como o caso segue em segredo de Justiça, a PF não divulga os nomes dos deputados citados pela funcionária.A Justiça prorrogou por cinco dias a partir de hoje a prisão temporária das 47 pessoas detidas durante a operação. O esquema ilegal de licitações para a compra superfaturada de ambulâncias teria movimentado R$ 110 milhões. Segundo as investigações iniciadas há dois anos, mais de 1.000 ambulâncias foram compradas em todo o país.Os presos foram encaminhados à Polícia Federal de Cuiabá. Dois deles --Erik Janson Sobrinho de Lucena e Pedro Braga de Souza Júnior--, presos no Amapá, chegaram hoje à cidade.

Credores aprovam venda de parte da Varig; BNDES empresta US$ 100 mi

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A assembléia de credores da Varig aprovou nesta terça-feira a venda em leilão da parte operacional da companhia. O preço mínimo proposto em acordo, que também envolveu o governo, é de US$ 860 milhões para a venda de todas as rotas e de 46 aviões, segundo projeto apresentado pela consultoria Alvarez & Marsal, responsável pelo plano de recuperação judicial."Fomos capazes de conciliar interesses e demos um grande passo para a solução da Varig", disse o presidente da Varig, Marcelo Bottini.Com a aprovação do plano, a Varig operacional será leiloada em 60 dias. A primeira tentativa será a venda integral da companhia e, se o preço mínimo não for atingido, será vendida apenas a operação doméstica no mesmo dia por um preço mínimo de US$ 700 milhões, incluindo 30 aeronaves.O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) deverá fazer um empréstimo de US$ 100 milhões para manter as operações da companhia até o leilão e também poderá financiar o futuro comprador da empresa. Segundo a assessoria do BNDES, valores e percentuais deverão ser fechados em uma reunião marcada para quarta-feira com a consultoria Alvarez & Marsal.A Varig tem dívida de mais de R$ 7 bilhões. Parcela desse montante ficará com a unidade comercial da empresa, que será uma prestadora de serviços aeroportuários para a parte operacional da Varig.Essa parte comercial, que será vendida mais para frente, será responsável pelo programa de milhagem Smiles, vendas de passagens e marketing da companhia aérea.

08 maio 2006

Lula volta a garantir que preço do gás não subirá no Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a garantir hoje (8) que o preço do gás natural não subirá no Brasil por causa da decisão do governo boliviano de nacionalizar as reservas do combustível, anunciada há uma semana. "O fato de a Bolívia nacionalizar o gás não significa que vai faltar gás no Brasil. Nem vai faltar gás no Brasil e nem vai aumentar o preço do gás. Ele vai aumentar quando tiver que fazer a renovação de contrato. De cinco em cinco anos, a Petrobras tem que discutir e fazer o reparo no preço porque o preço sempre será uma coisa que tem uma combinação", disse Lula em seu programa semanal de rádio "Café com o Presidente". Segundo o presidente, o governo vai negociar com os bolivianos para que o consumidor brasileiro do gás natural não sofra prejuízo. "Quando nós formos negociar o preço do gás com a Bolívia, nós também vamos querer o melhor preço para o nosso consumidor e eles vão querer o melhor preço para a Bolívia e você vai encontrar um denominador comum".Lula lembrou que a Bolívia não é o primeiro país do mundo a nacionalizar seus recursos naturais. De acordo com ele, decisão como essa já foi tomada no Brasil, Chile, Argentina, Chile, Iraque, Irã, Líbia, México. "Todos os países querem ser donos da riqueza que está no seu subsolo e a Bolívia tem no gás a sua única riqueza; portanto, o povo, de forma plebiscitária, escolheu nacionalizar o gás".

Uma dúvida fica no ar, realmente nós não sabemos se esta é mais uma jogada do nosso "Presidente", ou realmente o preço do gás vai ficar congelado até a renovação do contrato. Espero que esta não seja mais uma tática de campanha, e que, após as eleições, o povo não pague o preço por acreditar mais uma vez em "palavras ao vento".

Por : Juliano Mascarenhas

05 maio 2006

Presidentes buscam solução "equitativa" para conflito energético

Puerto Iguazú (Argentina), 4 mai (EFE).- Brasil, Argentina,Bolívia e Venezuela pactuaram hoje uma solução ao conflito de interesses pela nacionalização dos hidrocarbonetos bolivianos por meio de negociações bilaterais em "um contexto racional e equitativo", que torne viáveis os projetos energéticos regionais. Eles não mencionaram nada sobre reajuste de preços.Os países também pretendem "preservar e garantir o abastecimentode gás favorecendo um desenvolvimento equilibrado das nações produtoras e consumidoras", segundo a declaração conjunta lida pelo presidente da Argentina, Néstor Kirchner, após a reunião com seus homólogos do Brasil, da Bolívia e da Venezuela, em Puerto Iguazú. Kirchner leu a declaração conjunta após o que chamou de "uma longa e produtiva" reunião nesta cidade do nordeste argentino. "Os presidentes se puseram de acordo em fomentar investimentos conjuntos a fim de favorecer o desenvolvimento integral da Bolívia", acrescenta a declaração divulgada por Kirchner.


Por: Juliano Mascarenhas